Parasita altera química do cérebro e manipula mente de hospedeiro

Folha de São Paulo – REINALDO JOSÉ LOPES – EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Parece não haver limites para a sutileza maquiavélica do parasita mais manipulador da Terra. Cientistas acabam de desvendar outro de seus truques: a alteração dos níveis de mensageiros químicos do cérebro no organismo dos hospedeiros.

Estamos falando do Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose e pesadelo de roedores (e às vezes, também de humanos com o sistema de defesa do corpo em baixa).

Em estudo recente na revista científica de acesso livre “PLoS One”, cientistas liderados por Glenn McConkey, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, verificaram que o micro-organismo aumenta várias vezes a produção da molécula dopamina em neurônios de camundongos e em células cultivadas in vitro.

Em pessoas, mudanças nos níveis de dopamina estão relacionadas com uma série de problemas psiquiátricos, como a esquizofrenia. Portanto, é como se o T. gondii induzisse uma doença mental nos camundongos infectados.

VEM CÁ, SEU GATO

O que, cá entre nós, não é nada surpreendente diante das modificações de comportamento verificadas em roedores com o parasita. Sabe-se que eles deixam de achar o xixi de gato algo aterrorizante e passam a achá-lo algo… sexy, por assim dizer.

A perda do medo instintivo de felinos é do interesse do Toxoplasma (tanto quanto algo sem cérebro como ele pode ter interesses). É que os camundongos são só os hospedeiros intermediários do parasita. Seu hospedeiro definitivo são os felinos.

Isso quer dizer que, para conseguir se reproduzir de forma sexuada (o que traz uma série de vantagens, como mais diversidade genética), o T. gondii precisa passar pelo intestino dos bichanos.
E aumenta suas chances disso tornando os roedores que infecta mais corajosos (ou burros), de forma que eles sejam ingeridos por gatos.

É uma estratégia comum para várias espécies de parasita, mas o Toxoplasma se destaca pelos danos relativamente modestos causados ao organismo das vítimas –fora o comportamento suicida, claro.

Seres humanos e outros animais normalmente adquirem a doença pelo contato com fezes de felinos ou com alimentos contaminados com ela.

Em pessoas com imunidade baixa, a toxoplasmose pode causar inflamação do cérebro, problemas de visão e audição e afetar o coração e os ruins. Em alguns casos, pode acabar sendo fatal.

NOS NEURÔNIOS

Na nova pesquisa, a equipe britânica usou técnicas que flagraram a dopamina sobrando nos cistos de T. gondii que costumam se formar no cérebro de camundongos infectados há bastante tempo pelo parasita.

Eles também mostraram que, muito provavelmente, o parasita está aumentando a produção de dopamina lançando nos neurônios grande quantidade de uma substância que é essencial para a fabricação do mensageiro químico do cérebro.

Mal comparando, se o neurônio fosse mesmo uma fábrica, é como se o Toxoplasma enchesse o lugar de máquinas que fabricam dopamina.

Agora, os pesquisadores querem verificar se o fenômeno tem relevância para humanos com esquizofrenia.

Não é impossível que a infecção seja um fator de risco para o aparecimento da doença. Entender os mecanismos de “controle mental” de hospedeiros por parasitas também pode levar a melhores remédios psiquiátricos.

 

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Vírus provoca suicídio de lagartas – por Fernando Reinach, Biólogo

Pais forçam filhos a lavar as mãos e governos levam pessoas a morrer pela pátria. São exemplos de como uma pessoa é capaz de determinar o comportamento de outra pessoa.

Normalmente, não pensamos que o comportamento do filho é resultado de genes no corpo do pai agindo sobre o corpo do filho. Preferimos falar em convencimento, autoridade ou persuasão. Mas, quando esse fenômeno é observado entre animais de diferentes espécies, fica difícil imaginar que o comportamento induzido não resulte da ação direta de genes.

A capacidade de um gene, localizado em um ser vivo, de agir sobre outro ser vivo foi proposta inicialmente por Richard Dawkins, que chamou o fenômeno de fenótipo estendido. Muitos duvidavam da existência desses genes. Agora, pela primeira vez, um desses genes foi isolado e caracterizado.

No final do século 19, cientistas alemães observaram um comportamento estranho nas lagartas de uma espécie de mariposa chamada Lymantria dispar. Lagartas normais passam a noite se alimentando de folhas na copa das árvores. Antes do amanhecer, elas descem e se escondem. Esse comportamento evita que sejam devoradas pelos pássaros.

Mas em algumas vezes as lagartas parecem enlouquecer. Antes do raiar do dia, vão para o topo das árvores, agarram-se às folhas e ficam imóveis, esperando a morte. Que chega pelo bico de um pássaro. Décadas mais tarde, foi descoberto que elas “enlouquecem” após serem infectadas por um baculovírus.

Do ponto de vista do vírus, o comportamento suicida das larvas é perfeito. Após o vírus ter se multiplicado no interior das larvas, elas rumam para o topo das árvores e esperam. As aves comem as larvas infectadas, levando o vírus para outras árvores. O vírus se espalha rapidamente pela floresta. Se a larva infectada morre no seu esconderijo diurno, a disseminação do vírus é lenta, pouco eficiente. O vírus parece “convencer” a larva a mudar seu comportamento. Mas como isso é possível? Seguramente não rola um papo entre vírus e larva.

Quando os cientistas sequenciaram o genoma do baculovírus, descobriram um gene estranho, que parecia não ser necessário para a sobrevivência do vírus. Esse gene, chamado de EGT, produzia uma enzima capaz de inativar o hormônio 20-hidroxiecdisona, que controla o desenvolvimento das larvas. Quando a quantidade desse hormônio aumenta, a larva se transforma em pupa, produzindo o casulo do qual emerge a mariposa adulta.

Cientistas imaginaram que talvez o aumento e a diminuição diária dos níveis desse hormônio, antes da pupação, seria o responsável pela migração da larva para a copa da arvore ao anoitecer e sua volta para o esconderijo ao amanhecer. Será que o vírus, destruindo o hormônio no hospedeiro, estaria manipulando seu comportamento, induzindo a larva ao suicídio?

Para testar essa hipótese, cientistas construíram baculovírus recombinantes em que o gene EGT foi inativado. O vírus modificado infectou a larva e se reproduziu normalmente. Mas as larvas infectadas acabavam morrendo, cheias de vírus, não no topo das árvores, mas em seu esconderijo, longe das aves.

Esse resultado demonstra que o baculovírus carrega em seu genoma um gene cuja única função é destruir o hormônio que controla o comportamento das larvas, forçando sua exposição às aves famintas. Esse gene não somente altera o comportamento das larvas, mas indiretamente induz as aves a comer as larvas e espalhar o vírus.

Nada mal para um vírus que não tem cérebro nem estudou estratégia de marketing em um MBA. Provavelmente, ocorreu que uma cópia do gene EGT acabou inserido acidentalmente no genoma de um baculovírus em algum momento do passado. Por se reproduzir mais rapidamente, o vírus com esse novo gene acabou se tornando o baculovírus predominante nas florestas europeias.

À medida que mais espécies tiverem seus genomas sequenciados, mais exemplos de genes com fenótipos estendidos serão descobertos. Será que os genes que permitem que o cérebro de um pai argumente com seu filho e o induza a lavar as mãos antes do almoço não podem ser considerados genes com fenótipos estendidos? E os genes que permitem a um recém-nascido emitir um choro capaz de fazer os pais correrem até o berço? Eles podem ser considerados genes com fenótipo estendido?

MAIS INFORMAÇÕES: A GENE FOR AN EXTENDED PHENOTYPE. SCIENCE, VOL. 333, PÁG. 1.401, 2011

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Estudos apontam falhas em cálculos sobre extinção

Cientistas falam em previsões exageradas; correção é importante para evitar críticas de céticos e orientar políticas de conservação

06 de julho de 2011 | 0h 00

Alexandre Gonçalves – O Estado de S.Paulo

Estudos recentes questionam métodos científicos consagrados para estimar o risco de extinção de espécies. Para os autores, a crise da biodiversidade é um fato inegável, mas há o perigo de se utilizar dados pouco confiáveis na definição de políticas ambientais. Na prática, previsões erradas comprometem a eficácia dos projetos, estimulam o desperdício e causam descrédito.

 

Brian Gratwicke

Sagui. Presença indica bons lugares para unidades de conservação

Um trabalho publicado na revista Nature, por exemplo, mostra porque estavam erradas diversas estimativas do início da década de 1980. Muita gente achava que, até o fim do milênio, metade das espécies de seres vivos teria sido extinta – profecia que, felizmente, não se cumpriu.

Na última década, surgiram novos anúncios de cataclismos na biodiversidade. Um dos mais famosos relaciona aquecimento global e extinção em massa. O trabalho, publicado há sete anos na própria Nature, previa a extinção de até 50% das espécies até 2050 como saldo do efeito estufa. A notícia mereceu manchetes, mas tudo indica que o porcentual está inflacionado.

Em ambos os casos, os cientistas partiram de um método conhecido como Relação Espécies-Área (SAR, na sigla em inglês), utilizado para estimar quantas espécies novas são descobertas quando se explora um hábitat desconhecido.

Simplesmente inverteram a lógica e criaram o SAR reverso: se um biólogo encontra, em média, três espécies novas quando vasculha 40 quilômetros quadrados de Mata Atlântica, a destruição da mesma área do bioma traria consigo a extinção de três espécies. Certo? Errado.

O chinês Fangliang He e o americano Stephen Hubbell, do Instituto Smithsonian, mostraram que as estimativas obtidas com o SAR reverso podem oferecer valores até duas vezes maiores que a realidade (entenda o motivo do erro no infográfico).

Alguns ecocéticos chegaram a perguntar “Onde estão os cadáveres previstos?”, para depois concluir: “A crise da biodiversidade é um mito.” Tudo o que os autores do paper da Nature querem evitar. Eles admitem que os resultados do estudo podem ser usados para sabotar esforços conservacionistas e defender a ideia de que a destruição de biomas não é um problema.

“Não há dúvida de que a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (levantamento solicitado pelas Nações Unidas sobre o meio ambiente) identificou corretamente a perda de hábitats como a principal ameaça à biodiversidade na Terra”, esclarece o artigo. “E a sexta extinção em massa (da história do planeta) já deve ter começado ou está iminente.”

A ressalva não poupou o trabalho de críticas. Michael Rosenzweig, da Universidade do Arizona, foi um dos revisores do estudo e suplicou à Nature que não o publicasse. “Estava desesperado”, afirma Rosenzweig. “Fiquei chocado com o artigo.”

Os autores sugerem outra abordagem para realizar as estimativas. Nada muito novo: um método conhecido como Relação Endemismo-Área, proposto em 1997 por Ann Kinzig e John Harte, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Contudo, os pesquisadores só dispõem de forma incompleta dos dados que o método exige. Em concreto, um relatório com dados confiáveis de endemismo – distribuição geográfica das espécies do bioma estudado.

 

Lista. Outro trabalho, divulgado na PLoS Biology, questiona a validade de um dos instrumentos mais usados em políticas conservacionistas: a lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Pesquisadores americanos, britânicos e sul-africanos compararam os vegetais presentes na lista vermelha da África do Sul e da Grã-Bretanha com dados genéticos e levantamentos em campo.

Eles afirmam que a lista inclui espécies que não estão ameaçadas. “Espécies mais jovens costumam parecer sempre em alto risco de extinção pelo simples fato de não terem tido tempo de crescer e se diferenciar”, argumenta o biólogo Jonathan Davies, da Universidade McGill, nos EUA.

O grupo advoga a necessidade de estudos filogenéticos que ajudem a determinar qual é a história de cada espécie.

Gustavo Martinelli, do Jardim Botânico do Rio, concorda. “Dado genético é importantíssimo”, afirma. “Mas não é fácil obtê-los. O Brasil, por exemplo, não tem nem gente suficiente para fazer estudo filogenético de suas 40 mil espécies de flora. E não dá para esperar esse tipo de informação para começar a preservar.”

Martinelli é responsável pela atualização da lista vermelha da flora brasileira. Seu grupo analisará até maio do próximo ano cerca de 3 milhões de registros de 5 mil espécies para definir a lista.

A nova lista da fauna ameaçada está sob a responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo Ugo Vercillo, coordenador-geral de espécies ameaçada do órgão, os critérios da IUCN possuem outra vantagem: como são usados em todo mundo permitem comparações com outros países.

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Vermes são descobertos em camadas profundas da Terra

Vermes nemátodos foram encontrados em rachaduras formadas entre 3 mil e 12 mil anos atrás

Londres – Uma equipe de cientistas detectou pela primeira vez, em uma mina da África do Sul, organismos multicelulares nas camadas mais profundas da biosfera terrestre.

O estudo, publicado no último número da revista Nature, apresenta uma nova perspectiva a respeito da biodiversidade sob a superfície do planeta.

Abaixo da crosta terrestre, a biosfera alcança profundidades de até três quilômetros, e abriga uma ampla variedade de organismos unicelulares.

Até agora, no entanto, os cientistas pensavam que os organismos multicelulares não sobreviveriam nesse ambiente devido às altas temperaturas, à falta de oxigênio e ao espaço limitado.

No entanto, a equipe do geólogo da universidade de Princeton (EUA) Tullis Onstott detectou diversos vermes nemátodos, incluindo uma espécie desconhecida (batizada deHalicephalobus mephisto), entre 0,9 e 3,6 quilômetros abaixo da superfície terrestre, em uma rachadura formada pela água no interior de uma mina.

Essas criaturas, que medem cerca de meio milímetro, suportam altas temperaturas, se reproduzem de maneira assexuada e se alimentam preferencialmente de bactérias.

Os testes com carbono-14 indicam que a rachadura na qual os nemátodos foram encontrados se formou entre 3 mil e 12 mil anos atrás.

Os resultados da pesquisa indicam que os ecossistemas localizados sob a superfície terrestre são mais complexos do que se acreditava até agora e podem causar grandes implicações na busca de vida em outros planetas.

 

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Pâncreas artificial controla o diabetes

GUILHERME GENESTRETIDA FOLHA DE SÃO PAULO

Um pâncreas artificial, que monitora os níveis de açúcar no sangue e libera, automaticamente, quantidades adequadas de insulina, é a nova promessa para o tratamento de diabetes tipo 1.Nesse tipo de diabetes, o paciente precisa tomar várias injeções diárias de insulina para controlar a doença.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge testaram o aparelho e dizem que ele está pronto para ser usado por diabéticos em casa.

Eles fizeram a pesquisa com 24 pacientes hospitalizados. Os resultados foram publicados no periódico “British Medical Journal”.

SENSOR DE GLICOSE

O aparelho combina um sensor de glicose implantado no corpo a uma bomba com cateter, que libera a insulina. Ao detectar variações nos níveis de açúcar, o sensor dispara sinais de radiofrequência para a bomba, que libera a quantidade de insulina adequada.

No estudo que testou o dispositivo, os pacientes foram divididos em dois grupos: um se alimentou com quantidades razoáveis de comida e outro comeu excessivamente e bebeu álcool.

Muita comida e bebida aumentam a quantidade de açúcar no sangue e mais insulina é necessária. O pâncreas artificial detectou corretamente as diferentes necessidades e conseguiu controlar os níveis de glicemia nos dois grupos.

Nos diabéticos, esse controle é muito delicado. “O que mantém vivo o diabético tipo 1 é a insulina”, diz o endocrinologista Antonio Chacra, da Unifesp. O problema, diz ele, é o cálculo da quantidade a ser injetada.

HIPOGLICEMIA

Um dos principais perigos é reduzir demais o nível de açúcar no sangue, segundo Saulo Cavalcanti, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Quando o suprimento de insulina é excessivo, as taxas de glicose diminuem e podem levar a desmaios, convulsões e até causar a morte.

À noite, o risco é maior. “Dormindo o paciente pode não sentir os sintomas”, diz Cavalcanti.

De acordo com ele, o pâncreas artificial é uma forma segura de controlar açúcar no sangue e diminuir esse risco.

Para Marcos Tambascia, professor de endocrinologia da Unicamp, o aparelho é a evolução dos tratamentos de diabetes, mas ainda é preciso testá-lo em mais pessoas, para avaliar a segurança.

A estimativa dos médicos é que o pâncreas artificial estará disponível no mercado daqui a três anos.

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Misturar energético com bebida é pior que consumir álcool sozinho

A combinação dos dois tipo de bebida aumenta a impulsividade das pessoas

SÃO PAULO – Um estudo norte-americano comparou os efeitos do consumo de energéticos com bebidas alcoólicas e do consumo de álcool sozinho por um grupo de jovens. De acordo com os dados colhidos, e que serão publicados na edição de julho da revistaAlcoholism: Clinical & Experimental Research, a mistura é mais prejudicial porque aumenta a impulsividade das pessoas.

O que os pesquisadores observaram foi que a combinação alterou a percepção cognitiva dos consumidores, aumentando a sensação de excitação, que já é ativada com a ingestão do álcool. Esta sensação combinada com o comprometimento do controle dos impulsos deixa a mistura perigosa.

“Nós descobrimos que a bebida energética altera a reação ao álcool, em comparação com quem bebe apenas a bebida alcoólica”, disse Cécile A. Marczinski, professora assistente de psicologia da Northern Kentucky University e principal autora do estudo. “Uma pessoa que bebe álcool, com ou sem o energético, age impulsivamente. No entanto, o consumidor de álcool e bebida energética se sentiu mais estimulado. Portanto, o consumo de bebida energética combinada com o álcool configura uma cenário arriscado por causa da aumento na sensação do estímulo e níveis de alta impulsividade”.

Um detalhe importante relatado neste estudo é que a presença do energético não alterou o nível de comprometimento associado ao consumo de álcool, mas sim a percepção deste comprometimento.

O estudo observou 56 estudantes com idades entre 21 e 33 anos. Eles foram divididos em grupos que receberam dosagens diferentes de álcool, energéticos, uma bebida que mistura os dois e uma mistura placebo.

Os pesquisadores então os submeteram a testes para observar, por exemplo, em quanto tempo eles executavam um tarefa. Eles também tiveram que relatar como se sentiam, se estimulados, sedados, enfraquecidos ou se de alguma forma se sentiam intoxicados. 

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UnB anuncia mudanças no vestibular e no PAS

Objetivo é aumentar a exigência de língua portuguesa, uma demanda dos cursos de graduação, afirma a universidade

A Universidade de Brasília (UnB) aprovou mudanças no vestibular e no Programa de Avaliação Seriada (PAS) que visam a aumentar a exigência da língua portuguesa. As novas regras passam a valer no primeiro vestibular de 2012 e para quem faz a primeira etapa do PAS no fim deste ano. Os estudantes do ensino médio que já fizeram a primeira parte do PAS não serão afetados.

Veja as novas regras:

1. A redação passa ter caráter classificatório. Ou seja, a nota da redação será ponderada junto com as outras provas para o cálculo da nota final. No PAS, a redação valerá 10% do argumento da cada etapa. No vestibular, corresponderá a 10% do argumento final.

2. O candidato que não atingir 40% da nota máxima na redação será eliminado. No PAS, esse fator será considerado somente na soma das três etapas. Ou seja, se um aluno zerar a redação na primeira etapa, ainda pode se recuperar nas etapas seguintes.

3. Haverá redação em cada uma das etapas do PAS. Hoje, a redação só acontece na terceira etapa.

4. A UnB passa a aceitar recursos para as notas da redação.

5. O vestibular terá um mínimo de quatro questões discursivas (tipo D) para cada dia de prova. No PAS, serão no mínimo quatro para cada etapa. Essa mudança será gradual. No primeiro vestibular de 2012, por exemplo, devem ser apenas duas questões discursivas para cada dia de prova.

6. Pelo menos metade das questões discursivas vão envolver elaboração de textos em língua portuguesa.

7. Nessas questões, serão corrigidos aspectos microestruturais da escrita, como gramática e ortografia.

8. Os candidatos devem atingir 20% da nota máxima no conjunto das questões discursivas, ou será eliminado. No PAS, esse cálculo será feito apenas no final das três etapas. É importante ressaltar: as questões tipo D têm caráter classificatório e eliminatório.

9. Os critérios de eliminação em provas objetivas do PAS serão os mesmos do vestibular. Antes, o candidato do PAS tinha que atingir pelo menos 20% da nota mínima. Agora, só precisa acertar mais questões do que errar. Com isso, o processo seletivo do PAS nas provas objetivas fica menos rigoroso.

Apenas uma mudança vai passar a valer já no próximo vestibular, que selecionará ingressantes para o segundo semestre deste ano. Os candidatos aos cursos que têm turnos diurno e noturno (Direito, Administração, Ciências Contábeis, Ciências Farmacêuticas e Arquitetura) terão uma concorrência única. Hoje, são duas disputas: uma para o diurno e outra para o noturno. Agora, os candidatos serão distribuídos entre os turno de acordo com a ordem de classificação.

O edital do segundo vestibular de 2011 será publicado na semana que vem. O edital da primeira etapa do PAS 2011 será divulgado em agosto. Já o do primeiro vestibular de 2012 deve sair em setembro, já contemplando essas mudanças.

Quem tiver dúvidas pode se informar na Central de Atendimento do Cespe, no telefone (61) 3448-0100.

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Vacina contra malária tem ”pais” brasileiros

Produto com ótimos resultados na África é fruto da pesquisa do casal Nussenzweig, que atua na New York University desde 1964

Alexandre Gonçalves – O Estado de S.Paulo

Em fevereiro, cientistas anunciaram resultados de uma promissora vacina contra malária. Milhares de crianças foram imunizadas na África. Quase metade (45,8%) ficou protegida, um recorde nos testes de larga escala. Pouca gente sabe, mas os pais da vacina são brasileiros. “O trabalho de Ruth e Victor Nussenzweig fundamentou a concepção e o desenvolvimento da vacina”, afirma Joe Cohen, da farmacêutica GSK Bio, autor do artigo no The Lancet que descreve os resultados na África. O casal Ruth e Victor vive nos EUA desde 1964. Eles trabalham na New York University (NYU).

A comunidade científica não acreditava em uma vacina para malária. Todos sabiam que, depois de sucessivas infecções, pessoas que vivem em áreas endêmicas não costumam adquirir imunidade. Daí seguia um raciocínio tão simples quanto incorreto: se a natureza não gera uma resposta imune eficaz, a técnica não pode almejar resultado melhor.

Ruth desafiou o consenso. Utilizou esporozoítos – estágio do plasmódio na glândula salivar dos mosquitos inoculado durante a picada. O primeiro passo foi esterilizá-los com Raios X, estratégia para tornar os esporozoítos inofensivos. Depois, injetou-os em camundongos. Os roedores desenvolveram imunidade, comprovando a viabilidade de uma vacina. Os resultados mereceram publicação na Nature em 1967 e foram, depois, confirmados em macacos e humanos.

Mesmo assim, a vacina permanecia distante: não seria viável dissecar mosquitos para produzir, em escala industrial, a forma atenuada do esporozoíto.

Infecção. Na década de 80, a equipe de Victor identificou a proteína na superfície do esporozoíto que, ao ser neutralizada pelo sistema imune, impossibilitava a infecção: a proteína circunsporozoíto (CSP, na sigla em inglês). Era a chave para uma vacina sintética e economicamente viável.

A descoberta rendeu uma honra incomum: a visita de Sir John Maddox, da Nature. O lendário editor da maior revista científica do mundo viajou de Londres a Nova York para garantir que o brasileiro publicaria a descrição do gene da CSP na sua revista.

As farmacêuticas ficaram eufóricas. No dia 3 de agosto de 1984, o New York Times estampou uma foto de Ruth sob o título “Uma vacina iminente contra malária”.

A NYU estabeleceu uma parceria com a suíça Hoffmann-La Roche e criou uma vacina que recolhia o pedaço mais importante da CSP. Nos testes clínicos, em 1987, 35 indivíduos receberam o composto. Três tiveram ótima reação do sistema imunológico e foram expostos a picadas do mosquito infectado. Um ficou completamente protegido e os outros dois, parcialmente.

Foi um balde de água fria na opinião pública, mas, para Victor, representava um grande avanço: comprovava a viabilidade da vacina. Pouca gente concordou na época e quase todas as farmacêuticas desistiram.

Com uma exceção: Joe Cohen, da GSK Bio, sabia que os resultados eram sólidos e bastaria um bom adjuvante – substância que amplifica a resposta imune – para aumentar a eficácia. A aposta foi premiada. A vacina da GSK deve começar a proteger crianças na África em 2015.

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Países tentam manter Kyoto vivo

Protocolo que criou metas de redução de emissões de gases-estufa acaba em 2012

Afra Balazina – O Estado de S.Paulo

Denis Sinyakov/Reuters

Fora de Kyoto. Poluição na cidade de Baikalsk, na Sibéria: Rússia é um dos países que ameaçam abandonar o tratado

Começou nesta semana em Bangcoc, na Tailândia, uma tentativa dos países em desenvolvimento de manter o Protocolo de Kyoto vivo, mesmo que nações como Japão, Rússia, Austrália e Canadá se neguem a participar do segundo período do acordo.

A primeira fase de Kyoto, que instituiu metas para os países industrializados cortarem as emissões de gases-estufa, termina no fim de 2012 e ainda não está definido se haverá uma continuação. As nações em desenvolvimento, entre elas o Brasil, acreditam que é melhor ter o protocolo com um número menor de participantes do que ficar sem ele.

A União Europeia e os países da Escandinávia permaneceriam dentro do tratado. Eles avaliam que Kyoto tem exigências mais altas e é mais confiável do que qualquer alternativa apresentada hoje.

Mas países como Japão, Rússia, Canadá e Austrália vêm demonstrando não querer continuar em Kyoto. O motivo é que os Estados Unidos não ratificaram o tratado e, dessa forma, até hoje não possuem uma meta para reduzir as emissões.

Outro problema visto por eles é que grandes economias, como a China, a Índia e o Brasil, também não têm obrigação pelo tratado de reduzir as emissões dos gases que provocam o aquecimento global.

A secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres, deu a entender que é possível trabalhar com a hipótese defendida pelos países em desenvolvimento. Ela afirmou que “não há países que se opõem ao Protocolo de Kyoto” – mesmo que não queiram fazer parte dele. Uma comparação ouvida em Bangcoc foi a seguinte: é como uma pessoa que para de fumar, mas permite que outras continuem fumando.

As organizações não governamentais também consideram que, mesmo incluindo uma parte menor dos países e, portanto, das emissões de CO2, é melhor manter Kyoto. “Seria um desastre muito maior ficar sem o protocolo”, afirmou Wendel Trio, em nome da organização Climate Action Network (Rede de Ação pelo Clima).

Artur Runge-Metzger, chefe da delegação da União Europeia, afirmou que o grupo mantém a posição de entrar no segundo período de compromisso de Kyoto. Mas que não quer fazer todo o trabalho sozinho. O que se avalia é que, se decidir ficar em Kyoto, a União Europeia voltará a ser vista como líder do processo.

Já o chefe da delegação americana, Jonathan Pershing, afirmou que não está disposto a integrar um acordo sem a participação das maiores economias – sua maior preocupação é a China, a maior poluidora do mundo.

Decima Willians, que representa 43 pequenos Estados-ilha ameaçados pelas mudanças climáticas, afirmou que o fato de alguns países não terem interesse em continuar no Protocolo de Kyoto “não é encorajador”.

Resposta. Christiana Figueres lamentou que os progressos sejam lentos nas negociações climáticas da ONU.

“Preciso confessar que gostaria que o processo fosse mais rápido. As negociações são complicadas.” Entretanto, ela ressaltou que hoje não há outro espaço em que todos os países, até mesmo os pequenos e vulneráveis, têm realmente voz – as decisões ocorrem por consenso.

A afirmação pareceu uma resposta ao enviado especial para clima dos Estados Unidos, Todd Stern, que nesta semana fez declarações que minaram o processo da ONU. Ele disse que um acordo internacional era inviável neste momento e a solução seria cada país adotar leis nacionais para cortar as emissões.

As ONGs argumentam que os países que defendem metas nacionais em vez de um acordo internacional são os que não se comprometem ou apresentam metas fracas. Por isso, não é possível confiar que eles agirão sem haver um tratado que os obrigue a fazer isso.

Perfil

2 milpessoas participaram da reunião

194 naçõesfazem parte da Conferência do Clima das Nações Unidas

PARA ENTENDER

Depois de uma semana reunidos em Bangcoc, os países finalmente chegaram ontem a um consenso e definiram como será o trabalho na área de clima durante este ano.

O chefe da delegação brasileira em Bangcoc, o diplomata André Corrêa do Lago, explicou por que foi tão difícil adotar essa agenda. “Se fizer uma análise muito superficial se dá conta que a agenda era na verdade a ratificação do processo da Conferência do Clima de Cancún (COP-16).”

Em Cancún houve consenso, por exemplo, em se criar um fundo para permitir que os países em desenvolvimento recebam recursos das nações industrializadas para reduzir suas emissões de CO2. Também foi estabelecido o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), relevante para o Brasil.

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Experiência mostra que bullying altera composição química do cérebro

Estudo com ratos mostrou que situação de estresse e agressão modifica mais do que a autoestima

Uma pesquisa com ratos da Universidade de Rockefeller, nos Estados Unidos, descobriu que o bullying persistente tem efeitos não apenas na autoestima, como na composição química do cérebro daqueles que sofrem a agressão. Os resultados do estudo mostraram que os ratos que foram vítimas de bullying desenvolveram, além de um nervosismo pouco comum perto de novas companhias, uma maior sensibilidade à vasopressina, um hormônio ligado a uma variedade de comportamentos sociais.

Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que o estresse social crônico afeta o sistema neuro-endócrino, fundamental para comportamentos sociais como o cortejo, ligação entre pares e comportamento paternal. Mudanças nos componentes desses sistemas implicam em desordens como fobias sociais, depressão, esquizofrenia e autismo, afirmam os pesquisadores. Assim, as descobertas do estudo sugerem que o bullying pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade social de nível molecular a longo prazo.

Para realizar o estudo, os pesquisadores desenvolveram um cenário que simula um pátio escolar onde um pequeno rato é colocado em uma jaula com diversos ratos maiores e mais velhos, que vão sendo substituídos a cada dez dias. Como os ratos são animais territoriais, cada nova chegada ocasionava uma briga, que era sempre perdida pelo novo ocupante da jaula.

Após a briga, os pesquisadores separavam os animais fisicamente com uma grade que permitia ainda que o animal perdedor visse, ouvisse e sentisse o cheiro do outro, criando uma experiência de estresse.

Depois de um dia de descanso, o rato perdedor, que passou por essa situação de estresse extremo, era colocado na presença de um outro rato não ameaçador. Nesta situação o rato vítima de bullying era mais relutante na hora de interagir com outros ratos. Eles também desenvolveram uma tendência a “congelar” em um lugar por tempos mais longos e frequentemente demonstravam estar avaliando riscos em relação a seus colegas de jaula. Todos esses comportamentos indicam medo e ansiedade.

Os pesquisadores então passaram para a análise do cérebro desses ratos, particularmente da parte do meio do córtex pré-frontal que é associada ao comportamento social e emocional. Eles descobriram que a expressão dos receptores de vasopressina havia aumentado, tornando os ratos mais sensíveis a esse hormônio, que é encontrado em altos níveis em ratos com distúrbios de ansiedade.

Os pesquisadores também deram para um grupo de ratos um medicamento que bloqueia os receptores de vasopressina, o que controlou o comportamento ansioso de diversos ratos vítimas de bullying.

A pergunta que ainda precisa ser respondida é por quanto tempo duram os efeitos do bullying no cérebro. Embora ainda não haja uma resposta certa, os pesquisadores afirmam que há evidências de que traumas psicológicos ocorridos no início da vida podem continuar afetando uma pessoa por toda a vida.

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