Cientistas acreditam que poderiam combater rapidamente o vírus da Aids, infecção que mata dois milhões de pessoas anualmente, por meio de tratamentos com antirretrovirais.
“Penso que se utilizarmos os antirretrovirais eficientemente é possível conter o contágio dentro de cinco anos”, declarou Brian Williams, epidemiologista sul-africano que coordenou um estudo a respeito.
“Os antirretrovirais no mercado são muito eficazes e produzem poucos efeitos colaterais, mas o problema é que os utilizamos apenas para salvar a vida das pessoas infectadas e não para frear a pandemia”, explicou Williams no congresso anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) em San Diego (Califórnia).
Tomados de maneira regular, os antirretrovirais permitem reduzir a concentração do vírus HIV no sangue em 10.000 vezes.
Esta forte redução da carga viral faz com que as pessoas sejam 20 vezes menos contagiosas, o que é suficiente para conter a transmissão do vírus, explica o cientista, que já foi da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Desta forma seria possível reduzir a mortalidade em quase 95% até 2015, o que resultaria em uma prevalência da doença quase nula até 2050.
Finbarr O’Reilly/Reuters
Medicamentos antirretrovirais em prateleira de farmácia na África do Sul, onde 5,5 milhões vivem com HIV
33 milhões
Cerca de 33 milhões de pessoas estão vivendo com HIV, de acordo com estimativas referentes a 2007 da OMS e da Unaids (Programa das Nações Unidas sobre Aids).
Nesse ano, cerca de 2 milhões delas morreram de Aids e 2,7 milhões ficaram infectadas. Estimadas 370.000 crianças (com menos de 15 anos) estão entre essas infectadas.
A África subsaariana tem 67% das pessoas vivendo com Aids pelo mundo. Entre as crianças com HIV no mundo, são quase 90% as que vivem nessa região.
No Brasil, a estimativa é de 730.000 pessoas vivendo com o vírus, 40% de toda a América Latina. A prevalência estimada no Brasil é de 0,6%.
O segundo país na América Latina com mais casos de Aids é o México, com 200.000 pessoas com HIV.
Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (27) ter conseguido fazer com que células de pele relativamente comuns fossem transformadas em neurônios, diretamente.
Foi a primeira vez que um experimento criou tecido nervoso a partir de outro tipo, sem precisar revertê-lo antes a um estado primitivo, similar ao de células-tronco embrionárias.
Usando tecido cutâneo de camundongos recém-nascidos, os cientistas conseguiram manipular genes das células até que elas adquirissem características de neurônios.
Liderado por Marius Wernig, da Universidade de Stanford, o trabalho, publicado na “Nature”, pode facilitar a criação de tecidos para pesquisa e, talvez, tratamentos de doenças.
Sem passar pelo estágio de célula-tronco, o risco de o tecido alterado formar tumor é menor.
“Eu costumava dizer aos meus alunos que jamais conseguiríamos saber duas coisas sobre os dinossauros: que sons eles produziam e que cor eles tinham. Isso acaba de mudar.”
A frase de efeito do paleontólogo britânico Michael Benton, da Universidade de Bristol, casa bem com o anúncio dos resultados de seu mais recente trabalho: a presença de penas que iam do negro ao castanho-avermelhado em pequenos dinossauros carnívoros da China.
O que parecia um elemento irrecuperável da aparência desses bichos extintos veio à tona graças a uma análise conduzida com microscópios eletrônicos.
Benton e colegas da China e da Irlanda conseguiram flagrar, nos dinossauros fossilizados, a presença de melanossomos, minúsculas estruturas celulares que funcionam como reservatório de “corantes” naturais.
Como o nome indica, os melanossomos contêm melanina, o mesmo pigmento que dá cor à pele humana.
Duas versões diferentes dos melanossomos correspondem à variação que vai do preto ao castanho-avermelhado ou alaranjado, provavelmente distribuída de forma padronizada pelo corpo dos dinos e, talvez, acompanhada por outras tonalidades.
“É como se nós montássemos uma paleta básica de cores para esses dinossauros”, afirmou Benton em entrevista coletiva. De quebra, a descoberta talvez ajude a derrubar uma controvérsia interminável, sobre a natureza das penas dos dinossauros chineses.
É pena ou não é pena?
Embora versões emplumadas dos bichos tenham aparecido no registro fóssil desde os anos 1990, havia quem duvidasse que as estruturas fossem penas de verdade.
Para os céticos, elas não passariam de fibras de colágeno (proteína muito presente nos músculos) ou mesmo “tapetes” de bactérias que decompuseram o corpo dos falecidos dinos.
Com os melanossomos, porém, fica muito difícil contestar a natureza penácea das estruturas, afirma o artigo de Benton e companhia na revista científica “Nature” desta semana.
Afinal, o grupo conseguiu resultados parecidos em cinco espécies diferentes de dinossauros chineses, alguns dos quais nem possuíam plumas, mas apenas filamentos que lembram a penugem dos pintinhos modernos.
Os bichos são todos carnívoros pequenos e ágeis, com idade entre 130 milhões e 120 milhões de anos, como o Sinosauropteryx, o Beipiaosaurus e o Sinornithosaurus.
Proteína durona
“A nossa sorte é que a melanina é uma proteína bastante durona, o que facilitou a preservação dela nas penas”, diz Benton.
Os melanossomos identificados pelo grupo puderam ser distinguidos pelo formato: os alongados, em forma de salsicha, representam uma forma de melanina entre o negro e o cinza, enquanto os esféricos vão do castanho ao amarelo.
“Talvez seja possível identificar outros pigmentos e arranjos de melanossomos responsáveis por cores como o azul e o verde”, afirma ele.
Conforme o padrão de penas e cores for ficando mais claro, a ideia é usar esses dados para saber se as plumas dos dinos não voadores os ajudavam a manter a temperatura do corpo, como a pelagem dos mamíferos, ou funcionavam como sinalizadores de status e apelo sexual, como ocorre entre os pavões. As duas coisas, claro, podem ter andado juntas.
Descoberta também poderá servir para identificar a doença com 10 a 15 anos de antecedência
Efe
PARIS - O médico francês Étienne-Émilie Baulieu anunciou nesta terça-feira, 26, a descoberta de uma proteína para combater o mal de Alzheimer, assim como outros tipos de demência senil. A descoberta, anunciada na academia francesa de medicina e publicada na revista da academia americana, pode ser utilizado também para fazer um diagnóstico precoce da doença.
O médico, de 83 anos e pai da chamada pílula do dia seguinte, usada para evitar gravidez indesejada, disse que descobriu uma proteína encontrada de forma anômala nos casos de Alzheimer, e outra que destrói a primeira.
Baulieu explicou que, potencializando esta segunda proteína, é possível chegar a um medicamento que freie o desenvolvimento da doença.
Embora tenha assegurado que ainda está longe de poder curar a doença, o pesquisador assegurou que a descoberta pode servir para identificá-la com 10 a 15 anos de antecedência.
Ele disse que será possível ter um perfil mais claro do funcionamento destas proteínas em dois a três anos, e que, segundo diversos analistas, será possível curar a doença em outros dez.
Nos próximos meses será feita uma experiência no hospital Charles Foix de Ivry, nos arredores de Paris e especializado em geriatria.
Autoridades de saúde continuam a notar casos graves também em pessoas com menos de 65 anos
AE-AP
LONDRES - O diretor do setor de gripes da Organização Mundial de Saúde (OMS), Keiji Fukuda, afirmou que o vírus da gripe A H1N1 tornou-se a cepa predominante da gripe em circulação no mundo. Em alguns países, o vírus da gripe A H1N1 representa 70% dos vírus da doença pesquisados, disse Fukuda nesta quinta-feira.
A maioria das pessoas se recupera da gripe A H1N1 sem tratamento médico. Porém as autoridades de saúde continuam a notar casos graves também em pessoas com menos de 65 anos - que geralmente não correm muitos riscos durante as temporadas da gripe comum.
“Nós permanecemos bastante preocupados com os padrões que estamos notando”, afirmou Fukuda, durante entrevista coletiva. Segundo ele, o vírus parece bastante estável e as amostras pelo mundo permanecem muito parecidas desde a identificação do vírus, em abril.
A Ucrânia teve nos últimos dias um forte aumento da disseminação da doença, com 25 mil novos em alguns dias. Segundo Fukuda, porém, o vírus nesse país não parece diferente do encontrado em outros locais.
“Nós simplesmente temos que entender que o influenza pode causar epidemias em um número muito grande de pessoas”, disse ele. “Os padrões podem ser muito diferentes de país para país.”
Fukuda disse também que a agência monitora o impacto do vírus particularmente em populações suscetíveis. Na Venezuela, funcionários informaram que o vírus atingiu índios ianomâmis, matando sete pessoas de uma população total de 28 mil.
O diretor da OMS notou que os aborígines na Austrália são desproporcionalmente afetados pela gripe A H1N1. Segundo ele, não se sabe se isso ocorre pois eles são geneticamente mais vulneráveis ao vírus ou se possuem outros problemas de saúde que pioram o quadro.
Já há programas de vacinação para a gripe A H1N1 em mais de 20 países. Segundo Fukuda, a vacina é “bastante segura” e não há riscos de efeitos colaterais raros ou perigosos. Fukuda também disse que a OMS ficou surpresa com o fato de apenas uma dose da vacina funcionar. Inicialmente, os envolvidos na produção diziam que seriam necessárias duas doses.
Em crianças com menos de 10 anos, os fabricantes ainda recomendam duas doses. Segundo Fukuda, porém, a OMS acredita que uma dose também pode já ser efetiva nesses casos. O médico apontou ainda que “é melhor fornecer uma dose para tantas crianças quanto possível que duas doses para menos crianças”.
Viagens
Quem for ao Hemisfério Norte tem de estar preparado para enfrentar, além do frio, um maior risco de contrair gripe suína. Embora a doença esteja espalhada pelo mundo, em temperaturas mais baixas há maior chance de contaminação. “Nesse aspecto, é um comportamento semelhante ao de qualquer gripe”, diz o diretor do Instituto Emílio Ribas, David Uip.
A seus pacientes que estão no chamado grupo de risco, ele recomenda evitar a viagem. Isso inclui gestantes, pessoas que tomam remédios que reduzem a ação do sistema imunológico, portadores de doenças crônicas, cardíacos. Para os demais, a dica é repetir os cuidados adotados no Brasil: evitar levar as mãos aos olhos, nariz e boca; não partilhar objetos pessoais; ao espirrar, usar lenço; lavar mãos com frequência e, quando não for possível, usar álcool gel.
Uip conta que a atenção de especialistas está concentrada em como a epidemia vai se comportar no Hemisfério Norte.
IMPRENSA: ‘A prova não foi realizada, isso é importante dizer, graças ao bom jornalismo que temos no Brasil’
Renata Cafardo, de O Estado de S. Paulo
“Às vezes acho que sonhei isso tudo”, diz o ministro da Educação, Fernando Haddad, aparentemente mais magro. “E o Enem não foi adiado.” Há exato um mês, a prova tida como promessa para acabar com os vestibulares no Brasil foi cancelada depois que o Estado avisou o ministério do vazamento dos cadernos de questões.
O desabafo foi feito após entrevista exclusiva em que Haddad fez sua autocrítica sobre o escândalo que atingiu 4,1 milhões de estudantes. Ele lamenta não ter insistido para mudar as regras de contratação da empresa que aplicaria o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Sua ideia agora é eliminar licitações e ter uma entidade no Ministério da Educação para executar o exame todos os anos, a partir de 2010. “Será a Fuvest do MEC”, disse, em referência à fundação que realiza há mais de 30 anos o vestibular da Universidade de São Paulo (USP).
E essa “Fuvest” seria o Centro de Seleção (Cespe), da Universidade de Brasília (UnB), uma instituição pública ligada ao governo federal. “Qual é a universidade que licita seu vestibular? Não conheço.” Para ele, o Enem adquiriu dimensão e importância tão monumentais que só uma entidade que fosse responsável durante anos pelo exame conseguiria a experiência para fazer uma prova segura.
Haddad dormiu quatro horas na noite de 30 de setembro, em que foi avisado da tentativa de venda da prova, e acordou para a maior crise de seu ministério. Ele conta que não informou o presidente Lula do que estava acontecendo. “O presidente leu (a notícia sobre o vazamento) no jornal.”
Um mês depois, qual sua análise sobre o vazamento do Enem?
Na minha opinião, o modelo de contratação exigido pelos órgãos de controle é inapropriado para o Enem. Se tomarmos a experiência internacional, vemos isso. Na França, que tem o BAC, e nos EUA, que têm o SAT (exames para ingresso nas universidades), não há licitação, são organismos ou entidades públicas ou semipúblicas que assumiram há muitos anos a responsabilidade pela execução da prova. Ela é elaborada por educadores, mas a aplicação e a logística estão sob responsabilidade de entidades que acumularam enorme conhecimento nessa área.
No Brasil é necessário licitação.
É uma orientação e a lei de licitação prevê excepcionalidades. Mas os órgãos de controle insistem nesse modelo. Qual é a universidade que licita seu vestibular? Não conheço. O maior vestibular do Brasil, o da USP, não licita. Tem uma fundação, a Fuvest, que há mais de 30 anos aplica o vestibular, acumulando conhecimento para garantir segurança. Quando o Enem era apenas um exame avaliativo, essa questão não era tão premente. Depois, em 2004, passou a ser o critério de distribuição das bolsas do ProUni. Em 2006 passou a ter os resultados por escola e agora está sendo considerado como processo seletivo de universidades. A importância só vem crescendo. Toda nossa preocupação vai para que tenhamos uma espécie de Fuvest dos exames do MEC.
Seria criada uma instituição?
Não. Seria o Cespe, entidade pública que pertence à UnB. Não estamos falando em contratar uma empresa, já existe uma entidade pública, que assumiria uma responsabilidade de longo prazo pelo exame. A cada ano se prepararia mais e melhor. Teria tudo para se transformar numa espécie de braço operacional do Inep para a execução dos exames nacionais, como Prova Brasil, Enem e Enade. Esse é o modelo que nós vamos reapresentar ao Tribunal de Contas para que seja reanalisado. Temos talvez o mais robusto sistema de avaliação do mundo. E temos um calcanhar de aquiles.
Por que o exame ficaria mais seguro nesse modelo?
É evidente que qualquer exame está sujeito a falhas. Sempre quando há um acidente, isso vale para qualquer atividade que envolva segurança, como tráfego aéreo, você repensa o processo. O dever do Inep é explicar aos órgãos de controle, CGU e TCU, a exuberância do Enem do ponto de vista logístico e a necessidade de uma contratação mais segura. A entidade vai acumular conhecimento ao longo dos anos, vai aprender com o processo.
O senhor já falou com o Cespe?
Já conversei com o reitor (da UnB). O Cespe é um parceiro antigo do MEC. Ele precisa se preparar para assumir os exames. Assim como o maior vestibular do País tem a Fuvest, o Enem teria sua entidade.
O episódio prejudica a adesão de mais universidades ao Enem?
Não creio que prejudique. Estávamos prevendo três anos para migrar do vestibular tradicional para o novo modelo. A questão da contratação é uma decisão crucial. Se nós mantivermos o modelo, temo que as pessoas possam desconfiar da segurança da prova. E como só se sabe disso depois que se aderiu ao Enem, fica difícil tomar a decisão sem saber quem vai aplicar a prova.
Isso dará um controle maior para o MEC da situação?
As vantagens são inúmeras. Há a capacidade de mobilizar forças estatais, por exemplo, que em um contrato não poderiam ser viabilizadas. Eventualmente, você precisa mobilizar a Marinha para chegar a um município no Norte do País. Em um contrato tipo comercial, haveria automática vedação de disponibilizar recursos além do contrato para socorrer o vencedor da licitação porque toda a responsabilidade é do contratado.
O senhor não tinha a percepção de que o sistema era frágil?
A partir do momento que havia só um participante da licitação, a técnica do Inep fez uma avaliação e concluiu que as empresas teriam condições de realizar. Nós temos órgãos do MEC que promovem centenas de licitações por ano. Há uma confiança na máquina pública e os dirigentes não podem se imiscuir nos detalhes administrativos sob pena de essa atitude ser considerada suspeita para tentar conduzir os processos. No Enem, as 12 edições foram feitas pelas mesmas instituições, Cespe e Cesgranrio.
E elas não participaram da licitação dessa vez. Por quê?
Não saberia responder pela Cesgranrio porque ela retirou a proposta. Mas soube que houve uma preocupação de recursos administrativos que poderiam comprometer o cronograma da prova. A previsão é que a disputa seria acirrada. A disposição do novo consórcio de vencer o certame era grande.
O senhor tinha informações sobre o que acontecia na gráfica?
Tinha informações de que o contrato estava sendo cumprido. O que me foi passado depois pelo Inep é que nos últimos dez dias houve uma mudança da logística não autorizada pelo MEC e foi isso que criou um ambiente inseguro e vulnerável, onde ocorreu o furto (uma sala montada em SP para embalar as provas).
Mas nos depoimentos à PF, os funcionários da gráfica dizem que o local todo era inseguro, não havia revista, entravam sem crachá, usavam celular.
Na opinião do gestor do contrato, o novo ambiente criado foi determinante.
E na opinião do senhor?
Pelas informações que recebi até agora, quando há quebra no plano logístico aumenta a vulnerabilidade. Você contratou pessoas de última hora para o manuseio. Mas pode ser que a auditoria conclua que havia outras vulnerabilidades. Não descarto a possibilidade.
O senhor dormiu naquela noite?
Dormi, das 3 horas às 7 horas. Sabia que seria um dia difícil. Adiar a prova era só o pequeno componente. Em quatro dias úteis, nós adiamos a prova, fizemos um destrato com o consórcio, repactuamos com o consórcio anterior e divulgamos a data do novo exame. É um momento em que as pessoas diretamente envolvidas ficam debilitadas. Quatro pessoas do Inep tiveram de ser socorridas, hospitalizadas, duas estão de licença médica.
Em que momento o presidente foi avisado do vazamento do Enem?
Eu não sei dizer.
Não ligou para ele?
Não.
Como ele soube então?
Provavelmente ele leu no jornal. Que horas eu ia ligar para ele? Suponho que o ministro Franklin Martins tenha comunicado a ele assim que soube.
O senhor quer ser o ministro que acabou com vestibular?
Esses processos sociais são de longa maturação. Eu entendo que o marco está estabelecido para pôr fim àquilo que é uma anomalia no Brasil. Ter iniciado esse processo foi fundamental e nós vamos concluir, o Brasil vai concluir. A decisão foi comemorada pelos principais educadores do País. E espero que esse incidente não seja usado de pretexto para adiar isso.
O vazamento leva à perda de confiança nas avaliações?
O vazamento se resolve com a realização da nova prova. A prova não foi realizada, isso é importante dizer, graças ao bom jornalismo que nós temos no Brasil. Um jornalismo que checa fonte e dá oportunidade de as pessoas se informarem e tomarem decisões com base nisso. Isso vale para o poder público também, que muitas vezes é informado pelos meios de comunicação. Isso é muito bom porque permite ao cidadão e à autoridade tomar decisões. Se ela tivesse se realizado, se pessoas tivessem se matriculado com base nos resultados, isso seria muito ruim.
O senhor quer ser candidato ao governo de São Paulo?
Sinceramente, eu nunca pensei nesse assunto. Primeiro porque as tarefas do ministério me impedem de sair de Brasília. Se for verificar minha agenda, é muito interna. Saio com o presidente para inauguração de obras. Eu sei que existe uma movimentação de algumas pessoas ligadas ao PT que nutrem a expectativa de que eu possa vir a me candidatar. O presidente, quando me convidou para permanecer no cargo, foi para ficar quatro anos. Eu tenho um compromisso com o presidente Lula.
Se candidataria para um cargo no Legislativo?
Não é meu perfil.
Continuaria ministro no caso de um eventual governo Dilma?
Ninguém merece (risos). Ministro não é uma profissão, minha profissão é professor. Eu dediquei muitos anos da minha vida na academia estudando o Estado, a organização da sociedade, é gratificante poder colaborar com um governo no qual eu acredito, com um presidente como o presidente Lula.
Uma proteína presente nas células humanas leva ao pé da letra a ideia de domar o vírus HIV, temido causador da Aids. Ela é capaz de se transformar numa coleira molecular, que acorrenta o vírus e impede que ele inicie a invasão de outras células do organismo.
Pesquisadores americanos acabam de decifrar como esse processo acontece, em artigo na revista científica “Cell”. O grupo coordenado por Paul D. Bieniasz, do Centro Aaron Diamond de Pesquisa sobre Aids (EUA), descobriu até como criar uma forma sintética da “coleirina” (tradução livre do inglês “tetherin”), que funciona tão bem quanto ela.
Embora, pelo visto, o HIV já seja capaz de se safar da coleira proteica, o entendimento dos detalhes do mecanismo pode trazer pistas para fortalecer esse sistema de correntes e, quem sabe, fazer com que ele volte a ser eficaz. E o achado não é relevante apenas para o estudo da Aids: muitos outros vírus, como o Ebola e os causadores da gripe, também parecem ser suscetíveis à “coleirina”.
“Nas células onde a “coleirina” está funcionando bem, esperaríamos que a replicação viral ficasse atenuada. Não sabemos a que ponto isso afetaria a carga de vírus no organismo ou a transmissão para outros indivíduos, mas é razoável imaginar que um desses parâmetros, ou ambos, seriam reduzidos”, disse Bieniasz à Folha.
Os pesquisadores chegaram à “coleirina” seguindo a pista de outro tipo de molécula, os interferons do tipo 1, que parecem coordenar, entre outras coisas, parte das reações do sistema de defesa do organismo contra vírus. Já se sabia que a “coleirina” era ativada pelos interferons, e que ela era capaz de diminuir a saída de partículas virais (grosso modo, os vírus “individuais”) das células já infectadas pelo HIV. Também se sabia que a Vpu, uma proteína do vírus da Aids, tem como função desarmar a molécula.
Com essas informações, os pesquisadores passaram a estudar a composição química da molécula, bem como o papel dela na célula. Verificaram, então, que a “coleirina” costuma ficar atravessada na membrana que envolve as células, com um ganchinho espichado para fora. E conseguiram testar o que acontece quando o HIV, sem a proteção da Vpu, tenta sair de uma célula infectada.
Âncora
A “coleirina” se incorpora ao envelope protetor do vírus e vira uma espécie de âncora na membrana da célula. Preso, o parasita não alcança outras células. “O vírus escapa disso normalmente. Com o escape bloqueado, vimos do que ele escapava”, diz o biólogo Atila Iamarino, doutorando da USP que estuda a evolução do HIV.
Para o médico Luís Fernando Brígido, diretor do laboratório de retrovírus do Instituto Adolfo Lutz, o trabalho é um primeiro passo importante para usar o sistema da “coleirina” como um alvo de novos medicamentos contra o vírus da Aids.
“Eles mostraram que uma forma sintética dela seria mais eficaz contra o HIV, mas seria complicado induzir uma alteração da proteína dentro da célula. Por outro lado, inibir a Vpu, que permite ao vírus escapar, seria um caminho”, afirma.
Ele chama a atenção para outro ponto importante: a “coleirina” age sobre o envelope do vírus, que é produzido com material da própria célula. “É como uma barraca de praia que o vírus compra e leva.” Como é mais difícil para o HIV modificar o material que vem da célula com mutações, a chance de resistência a drogas baseadas nesse conceito seria menor.
GENEBRA - Aproximadamente 100 países em desenvolvimento receberão doações de vacinas contra a gripe A H1N1, a gripe suína, talvez já a partir de novembro, informou uma funcionária da Organização Mundial de Saúde (OMS) hoje. “A diretora-geral da OMS (Margaret Chan) deve aprovar hoje a lista de países para as doações”, disse a chefe da unidade de pesquisas de vacinas da OMS, Marie-Paule Kieny. “A lista incluirá aproximadamente 100 países”, disse ela. “Nós estamos tentando ter as primeiras entregas em novembro”, adiantou.
Dezenas de milhões de doses devem ser distribuídas, após doações das companhias farmacêuticas e de nações ricas que se comprometeram a dar 10% de seus estoques para países pobres. As doações devem ir diretamente para os países pobres. As entregas devem abranger apenas 2% da população nesses países em quatro ou cinco meses, começando com funcionários do setor de saúde e outros grupos vulneráveis, segundo Marie-Paule. As informações são da Dow Jones.
Descoberta sugere que um coquetel de drogas poderia ser testado contra a doença, que atinge milhões
WASHINGTON - Um vírus ligado ao câncer de próstata também parece desempenhar um papel na síndrome de fadiga crônica, de acordo com uma pesquisa que poderá levar á primeira droga contra o misterioso distúrbio que atinge 17 milhões de pessoas em todo o mundo.Pesquisadores encontraram o vírus, conhecido como XMRV, no sangue de 68 de 101 pacientes de fadiga crônica. O mesmo vírus apareceu em apenas 8 de 218 pessoas saudáveis, informa os cientistas na revista Science.
Judy Mikovits, do Insituto Whittemore Peterson, e colegas do Instituto Nacional do Câncer dos EUA e da Clínica Cleveland enfatizam o fato de que a descoberta só mostra um elo entre o vírus e a síndrome, e não chega a provar que o vírus é a causa da doença.
Muitos outros estudos serão necessários para mostrar uma ligação de causa e efeito, mas Judy disse que o estudo oferece a esperança de que os portadores da síndrome possam obter alívio a partir de um coquetel de drogas.
“É possível imaginar várias combinações de terapia que poderiam ser muito eficientes e poderiam, pelo menos, já entrar em testes clínicos”, disse ela.
Ela disse que drogas usadas contra a aids, anti-inflamatórios não-esteroides e drogas usadas contra o câncer poderiam ser testadas como um possível tratamento.
A síndrome afeta o sistema imunológico e causa uma fadiga que incapacita a vítima, diz o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo americano. Os pacientes também podem experimentar perda de memória e concentração, dores musculares e nas juntas, dores de cabeça, inchaço dos nódulos linfáticos e garganta inflamada. O XMRV é um retrovírus, como o HIV, causador da Aids.
Os animais que receberam os dois tipos de vírus, sazonal e H1N1, no entanto, foram os que ficaram pior
WASHINGTON - Ponha o vírus da gripe suína numa sala com outras versões do vírus causador da influenza e eles não se juntam para forma uma nova superdoença. Em vez disso, a gripe suína simplesmente derrota as outras, diz um estudo publicado nesta quarta-feira, 1º.
Os pesquisadores da Universidade de Michigan infectaram deliberadamente furões com várias versões da gripe, para examinar os temores de que a nova gripe poderia se fundir às outras e gerar um vírus letal. Mas a gripe A(H1N1) não mudou: os pesquisadores analisaram as secreções nasais dos furões e não viram sinais de troca genética.
Os animais que receberam os dois tipos de vírus, no entanto, foram os que ficaram pior. E eles também passaram facilmente o vírus da gripe suína para os vizinhos - com muito mais facilidade do que transmitiram a gripe sazonal.
Em outras palavras, não é surpreendente que a gripe suína tenha se tornado a forma dominante da doença no mundo. Ela não sofre pressão evolucionária para sofrer mutações por enquanto, já que tem uma clara vantagem biológica sobre os vírus concorrentes, concluiu a equipe do virologista Daniel Perez.
O estudo, no entanto, reforça a preocupação com a facilidade com que a gripe suína é capaz de se espalhar por um território
“Os resultados sugerem que a gripe 2009 H1N1 pode derrotar em competição as cepas de gripe sazonal e pode ser mais contagiosa também”, disse o médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.
”Esses novos dados, embora ainda preliminares, destacam a necessidade de vacinar contra a gripe sazonal e contra a gripe suína no outono e no inverno deste ano”. As estações frias do ano começam neste mês no hemisfério norte.
O estudo foi publicado no website PLoS Currents: Influenza, mantido pela Public Library of Science.